
Doenças crônicas de pele
Alopecia Areata
A alopecia areata é uma doença autoimune que causa a queda repentina de cabelos e pelos do corpo. Ela ocorre quando o sistema imunológico, que normalmente protege o organismo, ataca por engano os folículos capilares, interrompendo o crescimento dos fios.
O que é
Pode afetar o couro cabeludo, sobrancelhas, cílios, barba e até os pelos corporais. A doença não causa dor nem compromete a saúde física, mas impacta profundamente a autoestima e a qualidade de vida de quem convive com ela.
Sintomas
A alopecia areata pode se manifestar de diferentes formas:
- Alopecia areata em placas: perda de cabelo em áreas circulares bem definidas.
- Alopecia total ou totalis: perda de todos os fios do couro cabeludo.
- Alopecia universal ou universalis: perda total dos pelos do corpo (inclusive sobrancelhas e cílios).
- Alopecia ofiásica: queda de cabelo em forma de faixa, geralmente na linha de implantação posterior.
- Alopecia difusa: queda mais espalhada, podendo ser confundida com outros tipos de queda de cabelo.
A alopecia areata é considerada grave quando a perda de cabelos no couro cabeludo é superior a 50% (SALT ≥ 50, escore que estima, em %, a área do couro cabeludo sem cabelos). Também pode ser considerada grave quando há >20% de acometimento no couro cabeludo associado a impacto psicossocial importante, envolvimento visível de sobrancelhas ou cílios, resposta inadequada após pelo menos 6 meses de tratamento, ou teste de tração positivo multifocal (ao puxar suavemente, vários fios se soltam em diferentes pontos).
Impacto na qualidade de vida
A alopecia areata não é apenas estética, ela pode causar ansiedade, depressão, isolamento social e perda da confiança pessoal.
Estudos mostram que até 50% dos pacientes sofrem sintomas de ansiedade e quase 40% desenvolvem depressão. Em crianças e adolescentes, a doença pode afetar o rendimento escolar e o convívio social.
Mas é importante reforçar: você não está sozinho.
Hoje, existem tratamentos eficazes e seguros para controlar a doença, e novas terapias vêm sendo aprovadas em todo o mundo.
O tratamento pode ser longo, e a resposta varia de pessoa para pessoa, mas a medicina está avançando rapidamente para devolver o cabelo e a autoestima aos pacientes.
Tratamentos disponíveis
Os tratamentos da alopecia areata variam conforme a gravidade e a idade do paciente:
Terapias tradicionais (off label)
Alguns medicamentos são usados fora da bula (off label), com resultados variáveis:
- Corticoides tópicos, orais ou injetáveis;
- Metotrexato;
- Ciclosporina;
- Imunoterapia tópica com difenciprona (DPCP).
Esses tratamentos podem funcionar em alguns casos, mas nem sempre são eficazes e apresentam maior risco de efeitos colaterais.
Tratamentos aprovados pela ANVISA (on label)
Atualmente, existem duas medicações aprovadas no Brasil e em várias agências internacionais (FDA – Estados Unidos, EMA - Europa, NICE - Reino Unido) especificamente para alopecia areata grave:
- Ritlecitinibe (Litfulo®)
- Baricitinibe (Olumiant®)
Esses medicamentos pertencem à classe dos inibidores de JAK (iJAK), que atuam diretamente na causa da inflamação autoimune.
São considerados terapias de primeira linha nos consensos brasileiro, europeu, britânico e australiano, com alto nível de evidência científica (Nível A).
Porém a alopecia areata ainda não possui um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) no SUS, o que dificulta o acesso gratuito à qualquer medicação para o tratamento desta doença.
Mesmo assim, diversos hospitais públicos, médicos dermatologistas especialistas e ambulatórios dermatológicos dedicados em todo o país oferecem tratamento e acolhimento, graças ao comprometimento dos profissionais que lutam diariamente por seus pacientes.
“A alopecia areata não define quem você é”.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento dermatológico especializado fazem diferença e nós sabemos que o maior desafio, muitas vezes, é o acesso ao tratamento. Por isso, nossa associação atua para ampliar a disponibilidade das terapias comprovadas no SUS e na saúde suplementar.
Procure um médico dermatologista especialista, participe de grupos de apoio e lembre-se: há tratamento, há esperança e você não está sozinho.
Dúvidas frequentes sobre alopecia areata
Não. A alopecia areata não é causada por fungos, vírus ou bactérias e não é transmitida de pessoa para pessoa. É uma doença de causa genética e com base autoimune.
Atualmente, não existe uma cura definitiva. No entanto, existem tratamentos que podem controlar a doença, reduzir a atividade inflamatória e favorecer a repilação em muitos casos. A luta da nossa associação é ampliar o acesso a essas terapias, incluindo sua disponibilização no SUS e na saúde suplementar.
Existe predisposição genética, mas não é hereditária de forma direta. Ou seja, ter alopecia areata não significa que seus filhos terão a doença.
Não. A alopecia areata é uma doença autoimune, em que o sistema imunológico ataca os folículos pilosos. Não é causada por deficiência de vitaminas e não é tratada com vitaminas.
O estresse pode agravar ou precipitar um surto em algumas pessoas, mas não é a causa da doença, a alopecia areata é autoimune. Produtos químicos capilares (alisantes, tinturas, etc.) também não causam alopecia areata.
Não há comprovação científica de eficácia. A alopecia areata pode ter remissão espontânea (o cabelo pode voltar a crescer sozinho), o que pode dar a falsa impressão de que a terapia alternativa funcionou.
Além disso, a melhor janela para tratar a doença costuma ser nos primeiros 4 anos após o último surto; adiar o tratamento médico adequado pode reduzir as chances de boa resposta.
Não. O uso de perucas ou bonés não interfere no tratamento e pode ajudar a autoestima durante o período de tratamento, já que o cabelo cresce lentamente, cerca de 1 cm por mês.
Sim, mas os melhores resultados ocorrem quando o tratamento é iniciado antes dos 10 anos de doença, e a janela ótima é dentro de 4 anos.
Por isso, buscar ajuda com um dermatologista especialista precocemente é fundamental.
Informações fornecidas pelo Dermatologista Dr. Leonardo Spagnol Abraham | CRM-DF: 18.513 | RQE: 10.183-Coordenador voluntário do Ambulatório de Tricologia do Hospital Regional da Asa Norte, Brasília-DF
-Médico Dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
-Doutorando na Universidade de Brasília (UnB)
-Mestre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
-Assessor do departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) biênio 2025-26
-Coordenador do departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) biênio 2019-20
-Foi Coordenador do ambulatório de Tricologia do Hospital Universitário de Brasília (UnB) - 2011-16 e do Instituto de Dermatologia Prof. Rubem David Azulay do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro - 2007-11
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Dados que abrem caminhos
Observatório Brasileiro de Doenças Crônicas de Pele
A pesquisa do Observatório Brasileiro de Doenças Crônicas de Pele mapeia o tempo até o diagnóstico, o deslocamento em busca de atendimento e as barreiras de acesso ao tratamento.
Conteúdos
Publicações sobre Alopecia Areata
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